terça-feira, 16 de maio de 2017

Bonecas e meninos

Muitas pessoas que me conhecem, principalmente pessoalmente, sabem sobre a minha busca por ensinar aos meus meninos sobre empatia, respeito a diferenças, questões sobre gênero, feminismo e tantas outras coisas que acho importante para a construção de um cidadão.

Sempre busquei mostrar ao Gabriel o quanto ele era livre para fazer suas próprias escolhas e sempre ensinei para ele que  não existem diferenças entre meninos e meninas, alias eu nunca ensinei qualquer diferença para ele. Sempre fizemos questão de mostrar o quanto eu e o pai dividimos as tarefas domésticas e da vida. Sempre fiz questão de mostrar para ele que a dor e a vivencia do outro deve ser respeitada independente da nossa visão da vida. Pois bem, criamos um garotinho muito carinhoso, educado e que é constantemente corrompido pelo sistema. SIM

Eu me lembro quando era pequena e ouvia dos meus pais o quanto eles me ensinavam e o mundo lá fora fazia o contrário do que era feito por eles. É exatamente isso. Educar uma criança definitivamente não é uma tarefa fácil, posso dizer com toda a certeza de uma mãe que é a coisa mais dificil quando nos tornamos responsáveis eternos de um ser.
Algumas coisas bobas que nossos filhos ouvem ou mesmo veem já mudam tudo, é um trabalho de formiguinha, uma construção lenta e que só teremos resultado ao longo do tempo. 

Pois bem, o cabelo do Gabriel sempre foi meio tigelinha e ele adora o cabelo. Esses dias me disse que o cabelo dele era de menina!
Eu perguntei porque ele estava falando aquilo e ele me disse "ah mãe, lá na escola as meninas tem cabelo grande igual o meu". Então lá fui eu, sentei ao lado dele e perguntei se ele gostava do próprio cabelo e se gostaria de cortar e ele me disse que sim, gostava do cabelo e não tinha vontade de cortar. Então eu expliquei que não existe cabelo de menino ou de menina e sim cabelos, que podem ter cortes, tamanhos e cores diferentes.

Nós sempre demos a liberdade de escolha de brinquedos e ele sempre fez o que queria. Já compramos vassoura (o Joaquim ama muito), nós brincamos de comidinha e já até brincamos de bonecos (eles não tem bonecas, por uma questão que nós nunca demos e nem ele escolheu) mas ele começou com uma história de rosa e roxo era cor de meninas e que meninas não brincavam de carrinhos ou qualquer coisa que na cabeça dele era coisa de menino. E eu fiquei um tanto chocada com aquilo e comecei a questionar e dizer que eu era uma menina e ele então não me deixaria brincar? e ele em sua inocência me disse mas mamãe você pode sim (na cabeça dele meninas seriam as crianças da sua idade)! E então, eu disse que todos nós podemos porque não existe brinquedos de meninos ou meninas e muito menos cores.  

Nós nunca incentivamos o Gabriel a torcer para time de futebol, não tenho interesse nenhum em fazer ele se sentir na obrigação de gostar de algum time especifico para agradar, ainda que ele tenha entendido lá pelos dois anos e meio qual era o time do avô e do pai. Ele aprendeu o hino do Corinthians, ouvindo o jogo do time, que o pai tava ouvindo no rádio. E ele usava o futebol para agradar principalmente o avô e isso foi uma fase e hoje ele nem liga. 

Ensinamos ao Gabriel a respeitar as pessoas, os animais, a cidade e tudo que envolva o ambiente onde vivemos. Ele começou a fazer brincadeiras de tirar sarro, rir da nossa cara quando estávamos bravos, quando o Joaquim queria passar, ele entrava na frente e impedia a passagem do irmão e gargalhava. E lá fui mais uma vez ensinar que não era legal tratar as pessoas assim, que devemos nos colocar no lugar do outro e pensar como nos sentiríamos se fosse com a gente. 

O Gabriel não é incentivado a brincar de luta, nem a gostar de armas e brincadeiras de "matar", toda arma de brinquedo que venha com algum brinquedo, nós jogamos fora. Nós ensinamos ao Gabriel quem nem de brincadeira é legal machucar o outro. E ele já aprendeu isso, se ele vê alguma criança brincar de arma, ele corre e fala para gente. Ele aprendeu que luta é para defesa pessoal e nunca para machucar alguém. 

Pois bem, nós fazemos o que está ao nosso alcance para ensinar para este ser que está sob nossa responsabilidade a ser alguém respeitoso, que tenha empatia, respeitando as diferenças sendo elas qual forem. 

Esse final de semana aconteceu uma situação, onde eu e o Bruno tivemos que dialogar e mostrar uma outra visão ao Gabriel. 
Nós não temos TV aberta ou a cabo em casa, só deixamos ele assistir NETFLIX e só na TV, sem acesso a celular ou a tablet e vamos muito bem, obrigada. E ele chegou em casa dizendo que queria ir ao Mcdonald's, queria um brinquedo do Mclanche feliz e queria muito. Nós percebemos que muita das coisas que ele aprende vem da escola e nós ao mesmo tempo que não concordamos, sentimos um pouco de dó de ver ele pedindo, os amigos falando e ele não ter. Por mais que nós discordamos dessa competição do "eu tenho e você não". 
O mais interessante é que ele não gosta do lanche, no máximo da batata fria mas nós levamos ele. Fomos ao sábado no shopping, na hora do almoço, ele já saiu de casa falando que queria o Batman. 
Chegando lá, fiquei na mesa com os meninos e o Bruno foi lá mas não tinha o Batman. Então o pai trouxe a Batgirl. O Gabriel começou a chorar, porque aquilo era uma boneca de menina e ele não era uma menina. Ele ficou muito magoado e não deixou que eu abrisse o brinquedo. De inicio, pensei em levantar e ir lá achar algum boneco para ele. Mas o Bruno já começo a falar da boneca e o quanto ela era legal. Disse que se o Gabriel não quisesse, ele ia pegar para ele, que ela era uma super heroína, tão boa quanto o Batman. E ai o Gabriel começou a prestar a atenção no que o pai falava e pediu para abrir o pacote e começou a brincar com a boneca.




Essa situação serviu para nos mostrar que tudo é uma questão do que nós falamos e o exemplo que nós damos ao nosso filho. Eu poderia muito bem ter me levantado e trocado por qualquer outro brinquedo intitulado para meninos. O próprio pai quando estava o balcão escolhendo o brinquedo disse que todo mundo que estava com o filho, mostrava o brinquedo destinado ao gênero.
São os nossos exemplos e comportamentos que ensinam aos nossos filhos. Aprender desde pequeno faz toda a diferença!
Desculpem o texto enorme mas achei interessante compartilhar esse momento. 

Beijos 



sábado, 13 de maio de 2017

Porque eu continuo?

Faz algum tempo que não escrevo, mais um bloqueio criativo, afinal tenho tantas coisas para compartilhar. Esse mês completou um ano do meu retorno da licença maternidade, coincidiu com as minhas férias e estou imersa na missão de me redescobrir. E para isso estou empanhada, lendo muitas coisas, fui a um seminário de mães e ao TEDx em são paulo. Assisti algumas lives durante o dia todo no Facebook na quarta. Todo esse conteúdo que estou lendo tem algo em comum, todos falam sobre maternidade, a mãe empreendedora, vida profissional e a mulher se reencontrar após a maternidade.

Os últimos textos que escrevi por aqui, falaram muito sobre este assunto especifico. E sim ainda estou nesta busca, para mim a maior mudança após a chegada dos meus dois filhos com certeza é sobre se redescobrir e o quanto isso é dificil pra mim. Eu me sinto perdida, sem direção, sinto que tenho algo muito importante para contribuir com o mundo mas não consigo externar isso.

Após tantas palestra, ouvir tantas pessoas que admiro cheguei a conclusão que preciso escrever por aqui, compartilhar meu dia a dia na internet e sabe porque? Além da maternidade ser solitária e a internet trazer esse 'convívio' com outras pessoas que tem algo em comum com a gente, sinto que posso contribuir tanto. É muito dificil para mim me enxergar sozinha sendo uma mãe nova e sem nenhuma amiga que tenha filhos e que tenha o mesmo segmento de pensamento, criação e valores da vida. E a internet mostra para mim que existem sim mães que pensam como eu e como é incrível poder dividir, compartilhar, conversar e expor pontos de vista.

Muitas vezes me questiono sobre a exposição da minha vida pessoal na internet e por muitas vezes tento ser mais reservada, tenho medo de julgamentos mas ainda assim tenho muita vontade de compartilhar. Adoro receber comentários de pessoas que estejam passando o mesmo que passo em casa, dividir experiencias é tão bom. Me sinto muito acolhida. Por esse motivo resolvo sempre continuar a escrever.

Escrever no blog, me deixa feliz e acho incrível encontrar no histórico tantos relatos sobre a nossa vida e tantas coisas legais ou não que aconteceram e que consegui registrar por aqui. Este é mais um motivo para que sempre acabe voltando e continuando com o blog.

Vou fazer um post dedicado só a essas palestras especificamente e já digo que foram grandes aprendizados. Experiencias extremamente enriquecedoras para este meu processo de me encontrar. Volto muito em breve contando como tudo aconteceu!
Espero conseguir me reencontrar e enquanto estou neste processo vou relatando ele por aqui e no
instagram também @nossavidacomgabriel  segue a gente por lá também.


Beijos 


quinta-feira, 23 de março de 2017

Devaneios

Quando me tornei mãe, me perdi. Isso é algo muito evidente para mim.
O Gabriel viveu nove meses dentro de mim, que foram suficientes para que eu perdesse toda a minha identidade e toda a minha noção de individualidade. Mas obvio a culpa não é dele, faz parte do processo do meu renascimento. O Joaquim, chegou atropelando tudo e sem pedir permissão. Não me deu chance de enfim descobrir o que eu era e o que estava fazendo.

Filhos transformam a nossa vida num grau que nem imaginamos. E quando eles nascem, nós demoramos muito para nos enxergar, afinal nos dedicamos intensivamente aquele novo ser e ao outro, no caso quando já temos dois filhos. Morre ali naquele instante que o bebê nasce, quem você já foi um dia e no meio do turbilhão que é viver com pequenos bebês a gente tem que lutar para se manter com a mente sã.
Sempre me lembro que um dia li por aí, aquele grito que damos antes do bebê sair por completo, aquele ultimo grito, ardido, doido e forte. É ali que morremos e enfim renascemos, junto com o nosso pequeno bebê, temos que reaprender a ver a vida e viver.
Dizem por aí que o puerpério dura em torno de dois anos. E bem, quando engravidei do Joaquim, o Gabriel tinha 2 anos e 5 meses. Ainda não tinha me reencontrado e logo já mergulhei de novo na intensidade que é a gravidez e a vida com meus filhos.

Eu sou uma pessoa que precisa focar, parar e  me concentrar  mas não consigo fazer isso. Não consigo me encontrar nesse turbilhão que vivo. É muito intenso. A vida não me dá uma brexa, o tempo todo estou correndo contra o tempo, cuidar dos meninos, trabalho e a vida super corrida. Gostaria de poder pausar as coisas para poder viver uma coisa de cada vez. Estou exigindo muito né? 
Me sinto mal por que, muitas vezes gostaria de ter mais tempo para mim, para o meu relacionamento e minhas amizades. Sei que a partir do momento que eu priorizar uma coisa, automaticamente deixo  outra de lado. Sinto muitas vezes uma imensa vontade de sair, sem hora pra voltar, andar de mãos dadas, falar de coisas que não envolvam, criação de filhos, comidas e o crescimento deles. Mesmo tudo isso fazendo parte de quem eu sou hoje, as vezes acho que não tenho mais nada a acrescentar.
São sentimentos confusos. 

Ser mãe de dois filhos exige um esforço tão intenso. Ser mãe do Gabriel também foi bem mais fácil e tranquilo do que ser mãe do Joaquim. E dizem que mães de segunda viagem sabem mais e tem mais facilidade, para mim foi tudo novo e continua sendo. Nenhum filho é igual. 
Joaquim exige atenção constante, ele é extremamente apegado a todos nós mas principalmente a mim e ao pai. Quer colo o tempo todo e que nós estejamos sempre no seu campo de visão. Ele chora bastante, grita e quando não consegue externar ou se expressar, bate com a cabeça no chão e fica horas chorando, sim, é real.
O Gabriel sempre foi mais quieto, pouco reclamava e tudo estava bem. Eu particularmente, não acho normal. O Gabriel nasceu e foi direto para um berçário e em seguida para a UTI, nós não podíamos ficar muito no hospital e o nosso bebê aprendeu na marra a "engolir" o choro, afinal na UTI, ninguém atendia o choro. Quando nós chegamos com ele em casa, mal se ouvia o seu chorinho, era muito baixinho. Ele sempre foi mais distante, não era tão grude comigo, não pedia muito colo e sempre foi independente. 
Já o Joaquim sempre foi atendido, passou o primeiro mês da sua vida, no colo, o tempo todo. Colo e peito e muita musica. Achei que jamais sairíamos desse ciclo. De qualquer forma, relaciono muito esses dois momentos que vivi com meus filhos, acho que tem tudo a ver. Fizemos cama compartilhada enquanto ele mamou, alias, ele mamou no peito o que mostra o maior vinculo e por isso um grude comigo também. 

Desde o dia que o Joaquim nasceu, vivo dias no automático. Minha licença maternidade passou num piscar de olhos, estava tão preocupada em conseguir amamentar o Joaquim após meu retorno, que mal percebi o tempo passar. Aproveitei muito para ficar grudada nele, sentindo seu cheiro, aninhando, amamentando e vivendo algo que nunca mais vai voltar. Porém o primeiro ano de vida do Joaquim, mal vi o ano do Gabriel passar, não me dediquei como gostaria, não conseguir ser a mãe que sempre fui. Sempre cansada e também irritada. 

Continuo no processo de descobrir quem sou agora. Quem me tornei e do que gosto. No mais estou tentando viver um dia de cada vez. Não é fácil. Na maioria dos dias o cansaço ganha mas continuo tentando. Esse é mais um daqueles textos que são sobre mim que falam de todos os sentimentos loucos e os devaneios da vida. 


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Desmame e choro

Um ciclo que chegou ao fim, o Joaquim desmamou. E falo disso com lagrimas nos olhos, após um choro sentido e com soluço, afinal eu não estava pronta. De repente da noite para o dia, o Joaquim resolveu parar de mamar. 
Eu não sou desenformada, sei que o fato dele usar chupeta desde quando tinha 5 meses e termos incentivado o uso da mamadeira a partir de um ano e um mês, estar trabalhando e ficando fora de casa por um período muito maior, tudo isso influenciou e muito para que este desmame acontecesse.
Eu já não estava tão feliz com a amamentação, estava exausta mas ainda assim continuava a amamentar e era um momento nosso, onde não tinha pressa, era só nós dois e isso é muito forte. Na verdade, eu não queria né? Era só cansaço e ai acabava dizendo que ia desmamar para descansar. A sensação que estou sentindo é estranha, é como um luto, é como se eu estivesse perdendo algo ou alguém. Sei que teremos novas formas de nos conectar mas de qualquer forma não deixa de ser dificil aceitar o fim da amamentação. 
Me lembro de cada dia que planejei a amamentação, durante a gestação. Eu dizendo para a doula, que eu faria o que tivesse ao meu alcance para amamentar. Lembro de cada coisa que comprei e do que esperei para amamentar. Assim como o parto, amamentar era algo que eu queria demais. 
Com o Joaquim curei as feridas abertas da mãe e da experiencia que vivi com o Gabriel. 
Lembro dos primeiros dias que foram terríveis, que fugia de amamentar, que doía demais, que chorei, que desabafei com todo mundo que eu conhecia. Lembro que no grupo do parto, disse que ia conseguir, e tive um apoio incrível da equipe e a Raquel me disse que eu amamentaria até os dois anos, eu ri e disse que era demais para mim. Quando completei seis meses amamentando fiquei muito feliz e é tão fascinante saber que eu era o único alimento do meu bebê e o quanto isso é poderoso. 
Minha meta sempre foi amamentar pelo menos um ano e quando chegou nós continuamos afinal, porque parar se estava bem para todos nós? Só que eu vi uma necessidade grande de oferecer leite para o Joaquim , porque eu fico muito tempo fora de casa, ele já não mamava mais nem pela manhã, durante o dia ou quando eu chegava do trabalho, só antes de dormir e eu achava muito pouco. 
E no fundo eu queria parar de amamentar, principalmente por que era bem cansativo e já estava começando a dar agonia amamentar, ele me mordia, não estava muito feliz. 
Fazem umas três semanas ou mais talvez, não sei precisar, ele estava mamando pouco a noite, mas ainda assim mamava quando eu oferecia. Mas a duas semanas ele já não tem mais tanto interesse, eu oferecia e ele aceitava mas me mordia, ou ia mamar e chorava porque não queria. Na verdade o que estava acontecendo era o desmame e a confusão de bico, eu sei de tudo isso, mas estava negando para mim mesma.
Eu não queria amamentar mais que dois anos ou algo do tipo, eu sei que não é o fim do mundo o desmame e tantas outras coisas que vamos passar. Mas para mim é algo muito importante, eu sinto muito essa perda e estou sim me sentindo culpada, talvez por não poder me dedicar exclusivamente a ele, talvez por ter incentivado o uso do leite e talvez por que na verdade estava sedendo a pressão do mundo que já me dizia: olha já não mamou demais? 
Acredito que o fato dele ir para a escola (desabafo para um próximo texto), também me deixe de coração partido, afinal logo vem aquelas doenças chatas de inicio de aula e o peito ajudaria tanto, peito é conforto e também remédio. 
O final de qualquer coisa não é fácil de ser digerido, é como se algo estivesse escorrendo pelas minhas mãos e eu simplesmente não posso fazer nada. Talvez essa seja a hora mesmo. Li tanto sobre amamentação e principalmente sobre desmame, li sobre mães que sofreram com esse processo e filhos também. Com certeza absoluta fiz o que pude e sei que fiz o melhor. Mesmo sabendo que por minha influencia aconteceu antes do que eu queria mas eu já não tenho mais controle.
O Joaquim não aceita mais o peito, ele rejeita, ele empurra, ele chora, ele grita. Ele pede a mamadeira. 
Então fica aí a máxima, desmame pode acontecer com bebê de dias ou de mais de um ano por conta de confusão de bico. Ele parece estar muito bem, sem trauma, eu espero que não tenha mesmo. Já eu posso dizer, que ficarei morrendo de saudades dos nossos momentos. Isso não quer dizer que não temos mais o nosso momento, mas esse era importante e único. 
O quanto um segundo filho pode nos ensinar? Quantas dores do primeiro filho e quantas feridas podemos fechar com essa experiencia? 
Eu desejei demais um segundo filho, não para substituir o primeiro mas para poder viver experiencias que me foram roubadas com o primeiro, e eu vivi e consegui. Está na hora de deixar o Joaquim crescer mais um pouquinho e eu perder mais um pouquinho do meu bebê.
Foi incrível toda essa experiencia e agora espero as próximas!



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Compulsão e mudanças em 2017


Nunca fui uma pessoa magra, sempre tive a bunda grande e uma barriguinha, mas nunca fui gorda. Ouvi a minha vida inteirinha que era gorda, sempre. Ouvia dos meus pais que eu comia demais e que ninguém pagaria uma cirurgia do estomago para mim, sim, é real e cruel. A minha auto estima sempre era uma merda! Chegou num ponto que eu comia escondida para ninguém ficar me julgando, isso já com uns onze anos e isso é péssimo. Cresci vendo todos a minha volta e principalmente minha mãe fazendo infinitas dietas loucas e sempre se achando a pessoa mais gorda da face da terra.
Com o passar do tempo e depois de começar a namorar com o Bruno, passei a me enxergar um pouco melhor, me sentia bonita e o Bruno sempre fez questão de me elogiar, de me deixar confortável e isso sempre foi algo muito importante para mim.

Quando eu fiquei gravida do Gabriel eu estava acima do meu peso ideal, principalmente depois do tratamento de síndrome do pânico e a ansiedade que eu descontava na comida e na gravidez foram 12 kg a mais e eu não perdi nada desde então. Quando ele nasceu eu perdi uns 5kg e logo engordei mais uns 10kg e foi aonde fiquei, até engravidar novamente e ganhei mais 6kg e perdi os 6kg mas parei e estou aqui! 

Hoje quando vejo fotos minha adolescente ou mesmo antes da gravidez, vejo que eu tinha uma visão destorcida de mim mesma, eu não era gorda e me sinto triste de ver o quanto da vida eu perdi por me sentir mal com meu corpo.
As vezes para mim ser gorda é resistência. Afinal, mulher gorda não é feliz! É exatamente isso que os outros querem que a gente pense.Mas eu sou feliz, independente do meu peso. Mas os olhares de julgamento, quando me veem de mãos dadas com o Bruno, um cara magro, me olham da cabeça aos pés. Quando vou sair não gosto muito que seja sem os meninos, afinal, isso justifica para o mundo, sou gorda porque tenho duas crianças pequenas. Mas é mentira! 
E nem venha me dizer que as pessoas se preocupam com a minha saúde, é por pura estética sim. A minha saúde sempre foi ótimo, nunca tive problema nenhum, nem gravida!
Ultimamente não curto mais sair em fotos e fujo de espelhos, isso é péssimo, eu sei. 
Chegou então o tal momento de tentar mudar mas sempre fica aquele pensamento, até que ponto vale a pena? Eu acho uma perca de tempo deixar de comer para emagrecer, fazer loucura ou mesmo passar fome. Mas o ponto é, o que é o ideal?

Já fiz muitas loucuras quando era adolescente, tomei sibutramina, anfepramona, tomava shake da Herbalife, deixei de comer, já tentei vomitar (mas não conseguia) e cada vez que eu tentava uma dieta louca (a da sopa, a do ovo, a do presunto, a dukan) quando eu me sentia derrotada e desistia, comia compulsivamente. Já fiz academia, já tentei hidroginástica, já tentei caminhar e nenhuma dessas coisas me deram animo ou vontade de continuar. Sempre tive muita vergonha de ir em academia e enfim, sempre um desastre.

Agora o problema é o fato de já ter tido dois bebês e esta na hora de perder todo esse peso né? Tem tantas mães por aí que estão em boa forma e aí? 
Não se leva em consideração tudo que eu faço no meu dia e as minhas prioridades. Só importa se eu estou magra ou não. Afinal, já ouvi que se eu não me cuidar, meu marido vai atrás de outra na rua. QUE VÁ!
Afinal se eu quiser emagrecer e mudar minha aparência, deve ser apenas por mim e não por nenhuma outra pessoa.

Resolvi escrever esse post de desabafo, porque não sei, existe alguma coisa dentro de mim que diz que é necessário por tudo isso para fora. 
Hoje eu estou totalmente sem animo de fazer qualquer coisa, porque acho que dietas restritivas são horrendas, me deixam muito mais propensa a compulsão. 
Comer comidas sem graça em prol de estética por mais que eu queira mudar minha aparência, começar é muito difícil. 
E ficar sem comer doce, eu como todos os dias algum doce, de preferência um chocolate. E só de pensar que não vou poder...
 Fazer exercícios físicos é outra coisa que me irrita. Não gosto de ir em academia, fazer serie, contato com outras pessoas malhando e tudo mais. 
E me sinto mal de pensar em ir para academia ou fazer qualquer coisa que seja a noite, afinal passo o dia inteiro fora de casa, trabalhando e chego em casa, vou fazer janta, tomamos banho e jantamos todos juntos e logo após fico um pouco com os meninos. Fora a total falta de vontade ou animo, me sinto extremamente cansada a noite e de manhã quando acordo, mal tenho forças para levantar da cama. O tempo que eu durmo parece passar em um piscar de olhos. 
O que ganha de tudo isso, é o fato que só tenho 24 anos e me sinto péssima comigo mesma. Então é preciso mudar essa postura reclamona e cheia de empecilhos, certo?
Começar é sempre muito mais dificil.

O meu maior desafio deste ano é aprender a cuida de mim. Assim como me dedico aos meus filhos, preciso me dedicar a mim. Isso é algo primordial! 
Espero voltar logo com boas noticias e que de fato comecei alguma coisa.
Obrigada a quem chegou até aqui e leu esse post desabafo-agressivo-revoltado, as vezes é preciso ser sincera. 

Beijos

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Resumão 2016

Começamos 2017 mas antes dele começar não posso deixar de registrar sobre meu ano de 2016. Alias, o nosso ano! 

Gosto de escrever sobre o ano, é uma forma de enxergar com foi e relembrar no futuro. Esse ano que passou não foi facil para o mundo no geral, muitas mortes, tragédias, grandes acontecimentos politicos (fora temer, hehe) e tantas outras coisas dificeis de engolir. Mas para nós foi um ano muito bom, sou muito grata a tudo que passou. 

Iniciamos o ano com um bebezinho de 50 dias e uma familia começando a se adaptar a chegada desse novo membro. Foram dias e dias, com altos e baixos mas a vida é assim mesmo, ainda mais com bebes pequenos! 

O Gabriel começou as aulas e mesmo sendo a mesma turma, bem tímido! Ao longo do ano se desenvolveu muito bem e no final do ano já estava falando muito e super participativo. Já fala bem e o desfralde deu uma regredida por conta do frio, voltei a colocar fralda e agora vamos voltar ao desfralde noturno. Continuo com a ideia de cada um no seu tempo!

Me dediquei completamente a amamentação do Joaquim, era algo que eu queria demais e consegui. Me sinto orgulhosa demais de ter conseguido. Continuamos a amamentação e estou pensando em desmame. Veremos!

A licença maternidade chegando ao fim foi muito dificil deixar o bebê, principalmente por conta da amamentação, morria de medo de desmamar, dele passar fome, foi dificil mas sobrevivemos. E conseguimos superar essa! 

O Joaquim ficou em casa no seu primeiro ano de vida e isso foi maravilhoso. Sofri demais quando o Gabriel aos sete meses foi para a escola e vivia doente! 

Fizemos festa de aniversário para os dois. O Gabriel escolheu o tema do Star Wars e o Joaquim foi escolhido por mim e foi Marinheiro. Ficaram lindas e o mais importante é o quanto eles curtiram! 

Eu consegui voltar ao trabalho e foi muito melhor do que eu imaginei. Descobri que mesmo amando meus filhos, também amo ser independente e trabalhar. Tive que voltar a estudar para tirar uma certificação. Consegui me readaptar após sete meses fora e ainda fui provida! Isso foi bem legal apesar de agora tenho menos tempo na semana! Mas fico feliz com esta conquista e reconhecimento. 

Eu e o Bruno ficamos mais unidos nesse ano. A chegada do Joaquim também nos trouxe mais maturidade e fez com que nós dois tivessemos tranquilidade para esperar a hora certa de poder sair e nos curtir! 
Saimos três vezes sem o Joaquim e o Gabriel, foi muito bom. É algo que precisamos cultivar, nosso relacionamento, nosso amor e mesmo amando os meninos nós precisamos desse tempo! 

Sempre que um ano começa, gosto muito de escrever num caderno quais sao as coisas que quero realizar. Uma das coisas era dar uma melhorada na nossa casa, precisava de uma pintura, comprar um sofá legal e arrumar algumas coisinhas. E consegui fazer isso, o que me deixou super animada. Apesar de ter sido feito por etapas, no final do ano tudo estava feito! E ficou uma graça. 

O ano de 2016 foi embora mas vivemos momentos felizes e tranquilos. Amor e paz, sem conta a saúde! Sou muito grata ao ano de 2016 e que comece enfim o ano de 2017! 

          Nós 4, na noite de ano novo! 


Beijos 


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Natal e outros significados

Depois que eu cresci e o papai noel já não era mais tão esperado afinal meus pais eram o papai noel e acabavam antecipando os presentes, perdi um pouco da magia do natal. Quando o Gabriel nasceu, tão pitico e nem entendia nada nós ainda não davamos muita importancia ao natal até que o Gabriel deu uma crescida e começou a se encantar com as luzes, a arvore, o papai noel e nós começamos a ter um novo significado para essa data. 
Com a chegada do Joaquim próximo ao natal e tendo eu conseguido o desejado parto, a experiencia da amamentação e a gratidão a vida me fizeram ter um enorme carinho por essa data. 
Aprendi que na verdade os presentes do Natal são esses. O Joaquim que ama a arvore e quando acendemos os piscas piscas, ele canta parabéns e dança! 
A gratidão a vida, poder estar com a minha familia, a nossa saude, a união, poder ter grana para comprar o presente para os meninos e esperar ansiosa para quando eles abrirem! 
Nossos filhos chegaram para renovar a vida e essa data que antes eu não entendi o porque de tanto encanto! De fato, Natal não é presente. E quando damos o presente o sentimento de felicidade que dá é muito bom, pelo menos eu amo presentear!
Aqui em casa o Gabriel ganhou um calendario para contar os dias que antecedem ao natal, todos os dias ele vai lá na geladeira (onde esta o calendario) e conta quantos dias faltam! Falta um dia para o papai noel chegar e o nós estamos super ansiosos.
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Na manhã do Sabado o Gabriel já acordou super animado. Passamos o dia fazendo as comidas para a ceia de natal. 
O Gabriel viu em algum lugar que deveria ter biscoito e leite para o papai noel e que deveriamos dormir também, só depois de dormir que o papai noel chegaria. 
Eu mostrei para ele na pagina do facebook da NASA o papai noel viajando o mundo e disse que faltava pouco pra ele chegar na nossa casa e então ele resolveu ir dormir. 
Lá na casa dos meus pais nós não temos esse costume, geralmente abrimos os presente após a ceia. Mas enfim, lá pelas nove e meia da noite, ele acordou e viu os presentes embaixo da arvore e ficou muito feliz. Abrimos os presentes e foi só felicidade. 
Ele amou e o Joaquim também ficou muito feliz, dava uns gritinhos e falava algumas coisas. Ele amou ganhar uma bola de futebol pequena e ficou brincando. O Biel ganhou a Doutora Brinquedos e os outros personagens e também o Super Wings. Ele disse que foi tudo lindo.
Nosso coração fica cheio de amor com esses momentos! 
Parece que aos poucos o Natal vai trazendo tradições novas e esta sendo uma delicia viver tudo isso com minha familia!
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Sempre tiramos mil fotos no dia a dia mas nas principais comemorações, curtimos tanto os momentos que acabamos não registrando nada. Dessa vez não foi diferente, não tiramos foto da familia e nem dos meninos. Mas dizem que os melhores momentos não tem fotos né!? Por aqui é sempre assim! 
Hoje rolou algumas fotos dos dois no quintal de casa, nesse solzão de verão com gorro de papai noel. O Joaquim não estava muito afim mas as fotos ficaram tão lindas! 








Esse foi o nosso natal de 2016! 💙

Feliz Natal pra todos