quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Irmãos: entre tapas e beijos.


Acho que nunca escrevi muito sobre a relação dos meninos enquanto irmãos e com idade bem próxima. Como eles têm em torno de três anos e três meses de diferença na idade, quando o Joaquim nasceu, o Gabriel ainda era bem pequeno e muito bebezão. Ele me pedia muito que o irmão começasse a crescer para que assim os dois pudessem brincar, ele também oscilava muito na vontade de querer ser maiorzinho e agir como um bebê.


Não foi fácil a chegada do irmão e até hoje nós temos muitos reflexos dessa transição de filho único para irmão mais velho.
O Gabriel tomou uma postura de "pai" do Joaquim, onde muitas vezes ele age com o irmão exatamente como nós falamos com ele, mandando, chamando a atenção ou mesmo tentando ajudar em alguma coisa.


É muito bonito de ver eles interagindo e como o Joaquim faz tudo para imitar o irmão e ao mesmo tempo também chamar a sua atenção com gracinhas.
Eles amam brincar juntos e ao mesmo tempo adoram se provocar e é ai que mora o problema.



Eles "brigam" o tempo todo!
E agora eles ficam vindo até a gente e dizendo: "olha o que o Joaquim fez" ou "mãe, o Joaquim pois a mãe em mim" ou "Mã, ó o Bel"
O mais dificil de todos é o "Ai, o Joaquim tá me batendo", porque sim, além das disputas por brinquedos quase que o tempo todo, o Joaquim bate, puxa o cabelo e também morde.
Diferente do Gabriel que nunca teve essas reações, nós estamos aprendendo a ensinar ele, que não é legal fazer isso e na hora já chamamos a atenção dele e falamos para pedir desculpas e dar um abraço de amigo. Vem dando certo, ele tem diminuído cada vez mais esses momentos de demonstrar insatisfação batendo mas quando acontece tento não dar muito ibope e corrijo o comportamento.
Acontece também deles quererem chamar a nossa atenção e acabar em brigas.


E uma coisa muito dificil também é que agora o Gabriel fica bravo ou chateado por tudo e chora. Igual o Joaquim que é um bebê e que só sabe se expressar chorando. Mas o Gabriel não, ele não consegue externar os sentimentos, também é complicado quando ele tem que ceder porque o irmão é menor, tentamos não fazer isso sempre, afinal, não é justo. Mas são situações que temos que contornar.
Eu tinha certeza que as brigas demorariam muito mais para acontecer mas também o Joaquim já tem um ano e oito meses e logo a fase dos dois anos está chegando e que sabemos que é quando eles mais enxergam o mundo e descobrem as emoções.


O Gabriel esta com cinco anos e também descobrindo muitas coisas.
Mas o mais legal disso tudo é que agora adivinha quem me pede mais um irmãozinho? Isso mesmo, o Gabriel! Parece que ter um irmão é bem legal!
Cada dia que passa fica mais feliz com a relação deles dois e só espero que se mantenha assim para sempre, para eles serem além de irmãos, amigos!



terça-feira, 8 de agosto de 2017

Cinco anos de Gabriel

Os dias estão sempre corridos mas preciso fazer este post que é um clássico e tão importante para mim.
Quando meus filhos fazem aniversário, para mim é um momento muito importante e marcante. O Gabriel é meu primeiro filho e foi com ele que eu aprendi a ser mãe, é com ele que muitas vezes erro mas que logo já aprendo e mudo! 
Esse ano completou cinco anos do dia mais importante e dificil. Uma divisão de aguas na minha vida, o nascimento do Gabriel mudou completamente o que eu tinha de visão da vida. Como pode um serzinho tão pequeno resignificar uma vida? 
Cinco anos é um marco, os dias passaram sem que eu tenha me dado conta e lá se foram todos esses anos. 
Eu fiz de tudo para ser a melhor mãe possivel e sei o quanto errei mas me desdobro para sempre melhorar. 
Mas vamos falar do Gabriel né? 
Nesse ultimo ano, ele aprendeu tantas coisas novas. Começou a se interessar pelas letras e numeros. Pede para que a gente fale o nome das palavras em inglês. Está mais corajoso, menos timido. É algo que me incomodava, porque sei o quao o mundo já é cruel e com os timidos é mais ainda! 
Eu cometia o erro de dizer, quando chegava alguém ou iamos em algum lugar, que ele era muito timido. Ele começou a repetir e interiorizar. 
Quando percebi a influencia no comportamento com esse comentário, comecei a dizer que ele era corajoso . Comecei a incentivar que ele fizesse amizade com crianças diferentes, quando ia em algum lugar, como parquinhos, festas e ele geralmente não interagia. No ultimo final de semana, fomos em uma loja de brinquedos e ele chegou perto de alguns meninos que estavam brincado e já se inturmou, perguntou se podia brincar, e o colega ja liberou um espaço para ele sentar! Meu coração ficou derretido e muito feliz. E eu não interferi em nada, ele foi por conta própria. Afinal, é um esforço diario tirar essa ideia da timidez, então fiquei muito orgulhosa de ver que está funcionando! 
O Gabriel continua interessado nos mesmo brinquedos e desenhos, ama o super wings, os power rangers e bonecos num geral. Houve uma regressão no comportamento, voltou a querer ser um bebê mas muito por conta do irmão, que esta na transicão de bebezinho para "bebê que fala", como o próprio Gabriel diz. Então o Gabriel fica confuso, o Joaquim esta naquela fase engraçadinha dos quase dois anos, tudo que ele faz é fofo ou engraçado, afinal ele é pequeno e imita varias coisas que a gente faz. E o Gabriel não é bebê mas é pequeno e entende que ele já não é mais a graça. Na verdade quando ele não esta imitando, e sim sendo ele mesmo, também é fofo. Amo ver ele evoluindo e aprendendo varias coisas novas! Mas ele não entende isso e temos que sempre nomear o que esta acontecendo. 
Também não conseguimos ainda finalizar o desfralde noturno, ele usa a fralda mas não faz xixi, mas todas as vezes que deixamos ele sem a fralda, ele faz xixi! Estamos trabalhando isso com ele e espero que quando o verão chegar, será melhor!
Ele também tem uma grande dificuldade em lidar com as emoções, principalmente as negativas, ele recebe as coisas sem muito filtro e medida. Então um tom mais alto de voz, ele chora achando que estamos gritando ou brigando. Quando chamamos a atenção dele, ele se sente envergonhado e chora, se esconde e fica acuado. Então sempre precisamos nomear e explicar. 
As vezes isso é dificil, as pessos a nossa volta não entendem e falam que ele é chorão, que ele é chato. As vezes nós também temos pouca paciencia, quando eu percebo que estou fazendo algo errado, nesse sentido, mudo a postura e converso com ele. Não é facil e é preciso paciência!  
É um trabalho diário e de formiguinha.
No mais, eu só espero que esse novo  ciclo seja maravilhoso, que tenhamos muitos momentos de amor e aprendizados! 
O Gabriel com certeza me transformou e eu só posso agradecer a vida por ser abençoada com essa oportunidade! 

Feliz cinco anos Gabriel, te amo! 


sábado, 27 de maio de 2017

Viajando com filhos pequenos

No ultimo domingo, fomos viajar, estou de férias e resolvemos passear com os meninos e o nosso destino foi o Blue Tree Park Lins, na cidade de Lins, interior de São Paulo. É um resort de águas termais, muito bom!
Fizemos a escolha desse lugar por recomendação de algumas pessoas próximas e conseguimos uma promoção e foi uma ótima escolha, o lugar é incrível, com estrutura para nós que temos crianças pequenas, o serviço é pensão completa, não incluindo bebidas alcoólicas. 
Nós esperamos quase as minhas férias todas para finalmente chegar a data da viagem, demos sorte que bem na nossa semana estava um clima ótimo, aqui em São Paulo onde moramos estava frio e chovendo. Levei bastante roupa de frio, afinal o tempo é imprevisível né? Nós ficamos cinco dias por lá!

Nós contamos para o Gabriel da viagem, uma semana antes e ele ficou muito animado. O Joaquim nunca viu uma piscina em sua pequena vida e nós ficamos ansiosos pela viagem. 


Nunca viajamos sozinhos com os dois, essa foi a primeira vez e foi tranquilo. Como nós não temos carro e muito menos dirigimos (isso mudara em breve), optamos ir de ônibus, sim, de ônibus com varias outras pessoas que iam para o resort. Foi mais demorado do que normalmente seria de carro mas foi uma viagem tranquila. Os meninos se comportaram muito melhor do que eu mesma imaginei.

Chegando por lá, ficamos muito feliz pela escolha do lugar, era tão lindo quantos as fotos e os dois pequenos amaram. No primeiro dia, chegamos as 15hrs e não conseguimos ir na piscina porque estava chovendo mas curtimos a brinquedoteca, os dois amaram o espaço, o Joaquim pirou num caminhão de bombeiro que tinha luz vermelha. 


O Gabriel nomeou o lugar como "nossa casa de férias", adorou que nós comemos no "restaurante" que na verdade era o local das refeições do hotel. Foi uma experiência muito legal, estar junto tantos dias e só dedicado a diversão dos pequenos. 







Mas nem tudo são flores e a vida que nós compartilhamos na internet nem sempre retrata a realidade né? Eu optei por não postar fotos durante a viagem, porque queria muito curtir as férias com a minha família, fiz alguns stories no instagram (segue lá @nossavidacomgabriel) mas postei apenas uma foto.  Acontece também que a viagem não foi tão tranquila, afinal viajar com crianças pequenas é sempre incerto.

Logo no primeiro dia já começamos a ter trabalho com o Gabriel que está numa fase dificílima, com quase cinco anos, qualquer entonação mais forte, reação exagerada da nossa parte, ele fica magoado, leva tudo ao pé da letra, sempre questionando tudo e bate o pé. Não é nenhum pouco fácil lidar. 
E o Joaquim que no primeiro dia gritou e chorou quase a noite toda, o que parecia ser uma dor pelo nascimento dos dentinhos. No dia seguinte estava mal humorado, devido não ter dormido, estava com medo de ir na piscina, não conseguia comer comida porque a boca doía, para completar nasceram umas três aftas de uma vez, o nariz entupido, um caos. 





É óbvio que não estou reclamando da viagem, que foi uma delicia mesmo com esses perrengues mas estou compartilhando algo que nem sempre lembramos que coisas assim podem acontecer.
Quando eu fiz a mala de viagem, o Bruno até me zuou e disse que eu estava levando a casa toda, que estava me preocupando a toa. Pois bem, levei todos os remédios possíveis e imagináveis. Essa foi a nossa sorte, ainda que me esqueci de uma pomada para aftas e tivemos que comprar por lá. A sorte que tinha uma farmácia delivery. 

Acho que o pior dia foi o penúltimo dia, ele já estava cansado de tanta dor, tudo doía na boca dele, só aceitava o leite e mais o menos. Chorava e reclamava muito, porém já estava curtindo a piscina. No final do dia achamos que estava melhor mas ainda assim a noite foi bem dificil, ele chorava muito pela dor e depois percebemos que pelo cansaço. Era muito estimulo para o Joaquim, conheceu a piscina, lugar novo, novos amiguinhos, muita brincadeira, ele ficava tão cansado que não relaxava para dormir e as noites foram caóticas. 


O Gabriel nós conseguimos lidar com as brigas, as tristezas e magoas. Ele também ficou super cansado mas demonstrava chorando por tudo no final do dia, chorava porque pedia para ir ao banheiro e a gente ia junto ou não, chorava porque queria a carne que estava no prato cortada de outro jeito ou não, chorava para dormir, para comer, para tudo. Mas logo que deitava na cama, capotava. Foi muito legal ver ele interagindo com outras crianças. O Gabriel é uma criança comunicativa porém é muito tímido, principalmente com crianças que não conhece, dificilmente faz amizades, nós sempre tentamos intermediar para que ele faça amizades, brinque mas ele fica na dele.
Ele gostou tantos dos novos amigos que desde quando viemos embora pergunta quando vamos nos encontrar com eles novamente. 



De qualquer forma, nós adoramos a nossa viagem, apesar desses pequenos perrengues, foi uma delícia, no ultimo dia, todos estavam bem e de bom humor. Por que essa é a lei da vida né? haha 
A piscina quente faz toda a diferença, e como o tempo ajudou, também foi tranquilo por não estar ventando e ocorrer um choque térmico e os meninos ficarem doentes. Nós adoramos o resort e com certeza voltamos lá!


Beijos





terça-feira, 16 de maio de 2017

Bonecas e meninos

Muitas pessoas que me conhecem, principalmente pessoalmente, sabem sobre a minha busca por ensinar aos meus meninos sobre empatia, respeito a diferenças, questões sobre gênero, feminismo e tantas outras coisas que acho importante para a construção de um cidadão.

Sempre busquei mostrar ao Gabriel o quanto ele era livre para fazer suas próprias escolhas e sempre ensinei para ele que  não existem diferenças entre meninos e meninas, alias eu nunca ensinei qualquer diferença para ele. Sempre fizemos questão de mostrar o quanto eu e o pai dividimos as tarefas domésticas e da vida. Sempre fiz questão de mostrar para ele que a dor e a vivencia do outro deve ser respeitada independente da nossa visão da vida. Pois bem, criamos um garotinho muito carinhoso, educado e que é constantemente corrompido pelo sistema. SIM

Eu me lembro quando era pequena e ouvia dos meus pais o quanto eles me ensinavam e o mundo lá fora fazia o contrário do que era feito por eles. É exatamente isso. Educar uma criança definitivamente não é uma tarefa fácil, posso dizer com toda a certeza de uma mãe que é a coisa mais dificil quando nos tornamos responsáveis eternos de um ser.
Algumas coisas bobas que nossos filhos ouvem ou mesmo veem já mudam tudo, é um trabalho de formiguinha, uma construção lenta e que só teremos resultado ao longo do tempo. 

Pois bem, o cabelo do Gabriel sempre foi meio tigelinha e ele adora o cabelo. Esses dias me disse que o cabelo dele era de menina!
Eu perguntei porque ele estava falando aquilo e ele me disse "ah mãe, lá na escola as meninas tem cabelo grande igual o meu". Então lá fui eu, sentei ao lado dele e perguntei se ele gostava do próprio cabelo e se gostaria de cortar e ele me disse que sim, gostava do cabelo e não tinha vontade de cortar. Então eu expliquei que não existe cabelo de menino ou de menina e sim cabelos, que podem ter cortes, tamanhos e cores diferentes.

Nós sempre demos a liberdade de escolha de brinquedos e ele sempre fez o que queria. Já compramos vassoura (o Joaquim ama muito), nós brincamos de comidinha e já até brincamos de bonecos (eles não tem bonecas, por uma questão que nós nunca demos e nem ele escolheu) mas ele começou com uma história de rosa e roxo era cor de meninas e que meninas não brincavam de carrinhos ou qualquer coisa que na cabeça dele era coisa de menino. E eu fiquei um tanto chocada com aquilo e comecei a questionar e dizer que eu era uma menina e ele então não me deixaria brincar? e ele em sua inocência me disse mas mamãe você pode sim (na cabeça dele meninas seriam as crianças da sua idade)! E então, eu disse que todos nós podemos porque não existe brinquedos de meninos ou meninas e muito menos cores.  

Nós nunca incentivamos o Gabriel a torcer para time de futebol, não tenho interesse nenhum em fazer ele se sentir na obrigação de gostar de algum time especifico para agradar, ainda que ele tenha entendido lá pelos dois anos e meio qual era o time do avô e do pai. Ele aprendeu o hino do Corinthians, ouvindo o jogo do time, que o pai tava ouvindo no rádio. E ele usava o futebol para agradar principalmente o avô e isso foi uma fase e hoje ele nem liga. 

Ensinamos ao Gabriel a respeitar as pessoas, os animais, a cidade e tudo que envolva o ambiente onde vivemos. Ele começou a fazer brincadeiras de tirar sarro, rir da nossa cara quando estávamos bravos, quando o Joaquim queria passar, ele entrava na frente e impedia a passagem do irmão e gargalhava. E lá fui mais uma vez ensinar que não era legal tratar as pessoas assim, que devemos nos colocar no lugar do outro e pensar como nos sentiríamos se fosse com a gente. 

O Gabriel não é incentivado a brincar de luta, nem a gostar de armas e brincadeiras de "matar", toda arma de brinquedo que venha com algum brinquedo, nós jogamos fora. Nós ensinamos ao Gabriel quem nem de brincadeira é legal machucar o outro. E ele já aprendeu isso, se ele vê alguma criança brincar de arma, ele corre e fala para gente. Ele aprendeu que luta é para defesa pessoal e nunca para machucar alguém. 

Pois bem, nós fazemos o que está ao nosso alcance para ensinar para este ser que está sob nossa responsabilidade a ser alguém respeitoso, que tenha empatia, respeitando as diferenças sendo elas qual forem. 

Esse final de semana aconteceu uma situação, onde eu e o Bruno tivemos que dialogar e mostrar uma outra visão ao Gabriel. 
Nós não temos TV aberta ou a cabo em casa, só deixamos ele assistir NETFLIX e só na TV, sem acesso a celular ou a tablet e vamos muito bem, obrigada. E ele chegou em casa dizendo que queria ir ao Mcdonald's, queria um brinquedo do Mclanche feliz e queria muito. Nós percebemos que muita das coisas que ele aprende vem da escola e nós ao mesmo tempo que não concordamos, sentimos um pouco de dó de ver ele pedindo, os amigos falando e ele não ter. Por mais que nós discordamos dessa competição do "eu tenho e você não". 
O mais interessante é que ele não gosta do lanche, no máximo da batata fria mas nós levamos ele. Fomos ao sábado no shopping, na hora do almoço, ele já saiu de casa falando que queria o Batman. 
Chegando lá, fiquei na mesa com os meninos e o Bruno foi lá mas não tinha o Batman. Então o pai trouxe a Batgirl. O Gabriel começou a chorar, porque aquilo era uma boneca de menina e ele não era uma menina. Ele ficou muito magoado e não deixou que eu abrisse o brinquedo. De inicio, pensei em levantar e ir lá achar algum boneco para ele. Mas o Bruno já começo a falar da boneca e o quanto ela era legal. Disse que se o Gabriel não quisesse, ele ia pegar para ele, que ela era uma super heroína, tão boa quanto o Batman. E ai o Gabriel começou a prestar a atenção no que o pai falava e pediu para abrir o pacote e começou a brincar com a boneca.




Essa situação serviu para nos mostrar que tudo é uma questão do que nós falamos e o exemplo que nós damos ao nosso filho. Eu poderia muito bem ter me levantado e trocado por qualquer outro brinquedo intitulado para meninos. O próprio pai quando estava o balcão escolhendo o brinquedo disse que todo mundo que estava com o filho, mostrava o brinquedo destinado ao gênero.
São os nossos exemplos e comportamentos que ensinam aos nossos filhos. Aprender desde pequeno faz toda a diferença!
Desculpem o texto enorme mas achei interessante compartilhar esse momento. 

Beijos 



sábado, 13 de maio de 2017

Porque eu continuo?

Faz algum tempo que não escrevo, mais um bloqueio criativo, afinal tenho tantas coisas para compartilhar. Esse mês completou um ano do meu retorno da licença maternidade, coincidiu com as minhas férias e estou imersa na missão de me redescobrir. E para isso estou empanhada, lendo muitas coisas, fui a um seminário de mães e ao TEDx em são paulo. Assisti algumas lives durante o dia todo no Facebook na quarta. Todo esse conteúdo que estou lendo tem algo em comum, todos falam sobre maternidade, a mãe empreendedora, vida profissional e a mulher se reencontrar após a maternidade.

Os últimos textos que escrevi por aqui, falaram muito sobre este assunto especifico. E sim ainda estou nesta busca, para mim a maior mudança após a chegada dos meus dois filhos com certeza é sobre se redescobrir e o quanto isso é dificil pra mim. Eu me sinto perdida, sem direção, sinto que tenho algo muito importante para contribuir com o mundo mas não consigo externar isso.

Após tantas palestra, ouvir tantas pessoas que admiro cheguei a conclusão que preciso escrever por aqui, compartilhar meu dia a dia na internet e sabe porque? Além da maternidade ser solitária e a internet trazer esse 'convívio' com outras pessoas que tem algo em comum com a gente, sinto que posso contribuir tanto. É muito dificil para mim me enxergar sozinha sendo uma mãe nova e sem nenhuma amiga que tenha filhos e que tenha o mesmo segmento de pensamento, criação e valores da vida. E a internet mostra para mim que existem sim mães que pensam como eu e como é incrível poder dividir, compartilhar, conversar e expor pontos de vista.

Muitas vezes me questiono sobre a exposição da minha vida pessoal na internet e por muitas vezes tento ser mais reservada, tenho medo de julgamentos mas ainda assim tenho muita vontade de compartilhar. Adoro receber comentários de pessoas que estejam passando o mesmo que passo em casa, dividir experiencias é tão bom. Me sinto muito acolhida. Por esse motivo resolvo sempre continuar a escrever.

Escrever no blog, me deixa feliz e acho incrível encontrar no histórico tantos relatos sobre a nossa vida e tantas coisas legais ou não que aconteceram e que consegui registrar por aqui. Este é mais um motivo para que sempre acabe voltando e continuando com o blog.

Vou fazer um post dedicado só a essas palestras especificamente e já digo que foram grandes aprendizados. Experiencias extremamente enriquecedoras para este meu processo de me encontrar. Volto muito em breve contando como tudo aconteceu!
Espero conseguir me reencontrar e enquanto estou neste processo vou relatando ele por aqui e no
instagram também @nossavidacomgabriel  segue a gente por lá também.


Beijos 


quinta-feira, 23 de março de 2017

Devaneios

Quando me tornei mãe, me perdi. Isso é algo muito evidente para mim.
O Gabriel viveu nove meses dentro de mim, que foram suficientes para que eu perdesse toda a minha identidade e toda a minha noção de individualidade. Mas obvio a culpa não é dele, faz parte do processo do meu renascimento. O Joaquim, chegou atropelando tudo e sem pedir permissão. Não me deu chance de enfim descobrir o que eu era e o que estava fazendo.

Filhos transformam a nossa vida num grau que nem imaginamos. E quando eles nascem, nós demoramos muito para nos enxergar, afinal nos dedicamos intensivamente aquele novo ser e ao outro, no caso quando já temos dois filhos. Morre ali naquele instante que o bebê nasce, quem você já foi um dia e no meio do turbilhão que é viver com pequenos bebês a gente tem que lutar para se manter com a mente sã.
Sempre me lembro que um dia li por aí, aquele grito que damos antes do bebê sair por completo, aquele ultimo grito, ardido, doido e forte. É ali que morremos e enfim renascemos, junto com o nosso pequeno bebê, temos que reaprender a ver a vida e viver.
Dizem por aí que o puerpério dura em torno de dois anos. E bem, quando engravidei do Joaquim, o Gabriel tinha 2 anos e 5 meses. Ainda não tinha me reencontrado e logo já mergulhei de novo na intensidade que é a gravidez e a vida com meus filhos.

Eu sou uma pessoa que precisa focar, parar e  me concentrar  mas não consigo fazer isso. Não consigo me encontrar nesse turbilhão que vivo. É muito intenso. A vida não me dá uma brexa, o tempo todo estou correndo contra o tempo, cuidar dos meninos, trabalho e a vida super corrida. Gostaria de poder pausar as coisas para poder viver uma coisa de cada vez. Estou exigindo muito né? 
Me sinto mal por que, muitas vezes gostaria de ter mais tempo para mim, para o meu relacionamento e minhas amizades. Sei que a partir do momento que eu priorizar uma coisa, automaticamente deixo  outra de lado. Sinto muitas vezes uma imensa vontade de sair, sem hora pra voltar, andar de mãos dadas, falar de coisas que não envolvam, criação de filhos, comidas e o crescimento deles. Mesmo tudo isso fazendo parte de quem eu sou hoje, as vezes acho que não tenho mais nada a acrescentar.
São sentimentos confusos. 

Ser mãe de dois filhos exige um esforço tão intenso. Ser mãe do Gabriel também foi bem mais fácil e tranquilo do que ser mãe do Joaquim. E dizem que mães de segunda viagem sabem mais e tem mais facilidade, para mim foi tudo novo e continua sendo. Nenhum filho é igual. 
Joaquim exige atenção constante, ele é extremamente apegado a todos nós mas principalmente a mim e ao pai. Quer colo o tempo todo e que nós estejamos sempre no seu campo de visão. Ele chora bastante, grita e quando não consegue externar ou se expressar, bate com a cabeça no chão e fica horas chorando, sim, é real.
O Gabriel sempre foi mais quieto, pouco reclamava e tudo estava bem. Eu particularmente, não acho normal. O Gabriel nasceu e foi direto para um berçário e em seguida para a UTI, nós não podíamos ficar muito no hospital e o nosso bebê aprendeu na marra a "engolir" o choro, afinal na UTI, ninguém atendia o choro. Quando nós chegamos com ele em casa, mal se ouvia o seu chorinho, era muito baixinho. Ele sempre foi mais distante, não era tão grude comigo, não pedia muito colo e sempre foi independente. 
Já o Joaquim sempre foi atendido, passou o primeiro mês da sua vida, no colo, o tempo todo. Colo e peito e muita musica. Achei que jamais sairíamos desse ciclo. De qualquer forma, relaciono muito esses dois momentos que vivi com meus filhos, acho que tem tudo a ver. Fizemos cama compartilhada enquanto ele mamou, alias, ele mamou no peito o que mostra o maior vinculo e por isso um grude comigo também. 

Desde o dia que o Joaquim nasceu, vivo dias no automático. Minha licença maternidade passou num piscar de olhos, estava tão preocupada em conseguir amamentar o Joaquim após meu retorno, que mal percebi o tempo passar. Aproveitei muito para ficar grudada nele, sentindo seu cheiro, aninhando, amamentando e vivendo algo que nunca mais vai voltar. Porém o primeiro ano de vida do Joaquim, mal vi o ano do Gabriel passar, não me dediquei como gostaria, não conseguir ser a mãe que sempre fui. Sempre cansada e também irritada. 

Continuo no processo de descobrir quem sou agora. Quem me tornei e do que gosto. No mais estou tentando viver um dia de cada vez. Não é fácil. Na maioria dos dias o cansaço ganha mas continuo tentando. Esse é mais um daqueles textos que são sobre mim que falam de todos os sentimentos loucos e os devaneios da vida. 


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Desmame e choro

Um ciclo que chegou ao fim, o Joaquim desmamou. E falo disso com lagrimas nos olhos, após um choro sentido e com soluço, afinal eu não estava pronta. De repente da noite para o dia, o Joaquim resolveu parar de mamar. 
Eu não sou desenformada, sei que o fato dele usar chupeta desde quando tinha 5 meses e termos incentivado o uso da mamadeira a partir de um ano e um mês, estar trabalhando e ficando fora de casa por um período muito maior, tudo isso influenciou e muito para que este desmame acontecesse.
Eu já não estava tão feliz com a amamentação, estava exausta mas ainda assim continuava a amamentar e era um momento nosso, onde não tinha pressa, era só nós dois e isso é muito forte. Na verdade, eu não queria né? Era só cansaço e ai acabava dizendo que ia desmamar para descansar. A sensação que estou sentindo é estranha, é como um luto, é como se eu estivesse perdendo algo ou alguém. Sei que teremos novas formas de nos conectar mas de qualquer forma não deixa de ser dificil aceitar o fim da amamentação. 
Me lembro de cada dia que planejei a amamentação, durante a gestação. Eu dizendo para a doula, que eu faria o que tivesse ao meu alcance para amamentar. Lembro de cada coisa que comprei e do que esperei para amamentar. Assim como o parto, amamentar era algo que eu queria demais. 
Com o Joaquim curei as feridas abertas da mãe e da experiencia que vivi com o Gabriel. 
Lembro dos primeiros dias que foram terríveis, que fugia de amamentar, que doía demais, que chorei, que desabafei com todo mundo que eu conhecia. Lembro que no grupo do parto, disse que ia conseguir, e tive um apoio incrível da equipe e a Raquel me disse que eu amamentaria até os dois anos, eu ri e disse que era demais para mim. Quando completei seis meses amamentando fiquei muito feliz e é tão fascinante saber que eu era o único alimento do meu bebê e o quanto isso é poderoso. 
Minha meta sempre foi amamentar pelo menos um ano e quando chegou nós continuamos afinal, porque parar se estava bem para todos nós? Só que eu vi uma necessidade grande de oferecer leite para o Joaquim , porque eu fico muito tempo fora de casa, ele já não mamava mais nem pela manhã, durante o dia ou quando eu chegava do trabalho, só antes de dormir e eu achava muito pouco. 
E no fundo eu queria parar de amamentar, principalmente por que era bem cansativo e já estava começando a dar agonia amamentar, ele me mordia, não estava muito feliz. 
Fazem umas três semanas ou mais talvez, não sei precisar, ele estava mamando pouco a noite, mas ainda assim mamava quando eu oferecia. Mas a duas semanas ele já não tem mais tanto interesse, eu oferecia e ele aceitava mas me mordia, ou ia mamar e chorava porque não queria. Na verdade o que estava acontecendo era o desmame e a confusão de bico, eu sei de tudo isso, mas estava negando para mim mesma.
Eu não queria amamentar mais que dois anos ou algo do tipo, eu sei que não é o fim do mundo o desmame e tantas outras coisas que vamos passar. Mas para mim é algo muito importante, eu sinto muito essa perda e estou sim me sentindo culpada, talvez por não poder me dedicar exclusivamente a ele, talvez por ter incentivado o uso do leite e talvez por que na verdade estava sedendo a pressão do mundo que já me dizia: olha já não mamou demais? 
Acredito que o fato dele ir para a escola (desabafo para um próximo texto), também me deixe de coração partido, afinal logo vem aquelas doenças chatas de inicio de aula e o peito ajudaria tanto, peito é conforto e também remédio. 
O final de qualquer coisa não é fácil de ser digerido, é como se algo estivesse escorrendo pelas minhas mãos e eu simplesmente não posso fazer nada. Talvez essa seja a hora mesmo. Li tanto sobre amamentação e principalmente sobre desmame, li sobre mães que sofreram com esse processo e filhos também. Com certeza absoluta fiz o que pude e sei que fiz o melhor. Mesmo sabendo que por minha influencia aconteceu antes do que eu queria mas eu já não tenho mais controle.
O Joaquim não aceita mais o peito, ele rejeita, ele empurra, ele chora, ele grita. Ele pede a mamadeira. 
Então fica aí a máxima, desmame pode acontecer com bebê de dias ou de mais de um ano por conta de confusão de bico. Ele parece estar muito bem, sem trauma, eu espero que não tenha mesmo. Já eu posso dizer, que ficarei morrendo de saudades dos nossos momentos. Isso não quer dizer que não temos mais o nosso momento, mas esse era importante e único. 
O quanto um segundo filho pode nos ensinar? Quantas dores do primeiro filho e quantas feridas podemos fechar com essa experiencia? 
Eu desejei demais um segundo filho, não para substituir o primeiro mas para poder viver experiencias que me foram roubadas com o primeiro, e eu vivi e consegui. Está na hora de deixar o Joaquim crescer mais um pouquinho e eu perder mais um pouquinho do meu bebê.
Foi incrível toda essa experiencia e agora espero as próximas!